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O QUE ACONTECEU COM A BELEZA DA ARTE?

Débora Ottoni

A arte, no dicionário, é definida como habilidade ou disposição dirigida para a execução de uma finalidade prática ou teórica, realizada de forma consciente, controlada e racional. Gosto de pensar que essa habilidade ou disposição é algo inerente ao ser humano de forma que ele realiza, produz e elabora a arte a partir de uma expressão dos sentimentos e emoções refletindo traços da cultura, da história, observando os valores estéticos da beleza e da harmonia.
Roger Scruton, filósofo conservador e escritor inglês, cuja especialidade é a estética, em um de seus documentários: Why Beauty Matters? (Por que a beleza importa?), diz que em qualquer tempo, entre 1750 e 1930, se se pedisse a qualquer pessoa educada para descrever o objetivo da poesia, da arte e da música eles teriam respondido a beleza. Assim, podemos entender que a arte está interligada à estética pois faz parte do ser humano imprimir beleza em uma tentativa de materializar algo que lhe seja inspirador.
E de onde vem a inspiração do homem? Através da imaginação, da natureza, das relações, do amor, das paixões, da raiva, da angústia… Por intermédio destas e outras inúmeras fontes inspiradoras, nasceram grandes poetas, artistas, musicistas, escritores. Ao refletirmos sobre este processo que estimula a criação da arte podemos concluir que a origem de todas as fontes de inspiração é Deus.
Deste modo, podemos contemplar a arte desde a criação do homem em Gênesis. A Bíblia em todo tempo nos convida a apreciar a arte sendo concebida por homens através da construção de objetos, templos, artefatos, todos sob a inspiração de Deus e do seu Espírito. Nos livros poéticos de Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares podemos nos deleitar com lindos poemas, com métricas e harmoniosas palavras que vivificam nossa alma. A própria Bíblia é a maior expressão da criação da arte através do Divino. Esse olhar para o contexto da gênese da arte, nos remete ao entendimento que ela, em todo o tempo, deve manifestar pureza, reflexão e produzir crescimento espiritual, intelectual e emocional.
Mas, por que a partir do século XX a expressão do belo através da arte deixou de ser importante rebaixando o conceito de beleza?
Porque o homem se distanciou de Deus, perdendo assim, sua identidade, o sentido da vida. Em seu egocentrismo, egoísmo e autossuficiência (“Meu dinheiro, meu prazer, minha felicidade”) o homem se afastou da fonte de origem de inspiração verdadeira e suas expressões carnais embebidas do pecado sobressaem reproduzindo a arte com o propósito de causar perturbação, quebrar tabus morais, se rebelar contra o sistema e externar a deformidade de um espírito desgovernado. Isso imprime o resultado de uma arte sem alma, estéril e feia. Nossa linguagem, nossa música, nossos costumes e maneiras estão cada vez mais rudes, autocentrados e ofensivos. E isso vemos, também infelizmente, dentro de nossas igrejas.
Precisamos retomar o caminho de nos ligar ao Criador de todas as coisas e entender que o nosso falar, cantar, andar, pensar e criar, são todos para glorifica-Lo. Quando nosso espírito bebe da fonte verdadeira, tudo o que produzimos é bom, agradável, puro e BELO. “Porque dEle e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. Amém.” (Rm 11:36)

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