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O Ex-Ateu que se converteu

Guilherme Herrera Serafim dos Santos

“Eu vou provar que Deus não existe”. Sim, eu já disse isso uma vez. Várias vezes, para ser mais sincero. Esse foi o estado da arte em minha vida peregrina ateísta. Foram 16 anos, sustentando um personagem egoísta, vazio, sem norte, mesquinho, arrogante, prepotente, com empáfia. E Deus teve misericórdia dessa pessoa. Incrível! Mentira, solidão, orgulho, egocentrismo, pseudo intelectualidade e falta de direção e norte pairaram sobre minha vida desde muito jovem até os meus 25 anos, quando encontrei o amor, a graça e o perdão em Cristo Jesus.

A paixão pela ciência foi um grande fator que contribuiu para que uma criança de 8 anos peregrinasse pelo ateísmo. Mas hoje, mais maduro e consciente, olho para trás e vejo o que me levou a ir por esses caminhos tortos e de morte eterna, além de uma vida solitária, já mencionada. Além da paixão pela ciência, acredito que três outros motivos me levaram à ausência da Luz em minha vida: Ausência do meu pai na criação, sair da igreja aos oito anos de idade e a referência do avô materno.

Hoje, vejo o quanto a ausência do meu pai, teve reflexos negativos em minha vida e o quanto isto me aproximou do ateísmo. Tenho amigos que ainda são ateus (em nome de Jesus Cristo, eles conhecerão a Deus) e todos eles têm ou tiveram problemas com a figura paterna em algum momento da vida. A ausência paterna tem efeitos devastadores na vida de um jovem. Cresci um menino, um jovem, sem direção, imaturo e com uma solidão que foi preenchida apenas por Jesus Cristo.

O segundo “motivo” foi o fato de que, com oito anos, parei de frequentar a igreja onde minha avó e minha mãe me levavam. Isso aconteceu porque, um certo dia, fui acusado de furto dos óculos de um senhor da igreja. Acusaram uma criança que não ia aos cultos de domingo à noite, apenas frequentava os de “jovens e menores”, aos domingos de manhã. A acusação deste senhor fez minha mãe chorar na porta de onde morávamos e eu pensava “aquele lugar faz minha mãe chorar. Não quero mais ir lá” e, assim, me ausentei da presença e da Palavra de Deus. O coração de uma criança deve ser preenchido logo cedo por Jesus, a fim de que ele não passe por tudo isso que passei. A bíblia nos orienta em Provérbios 22:16: “Ensina a criança no Caminho em que deve andar, e mesmo quando for idoso não se desviará dele!”. Uma semana depois, este senhor encontrou seus óculos e foi avisar minha avó e minha mãe. Tarde demais.

Por último, a referência do avô materno. Ele era meu ídolo. Cresci escutando histórias da minha avó falando que éramos muito parecidos e tínhamos os mesmos gostos e costumes. Mas, ele era ateu. Pense: Qualquer coisa preenche o coração vazio de uma criança, ainda mais algo que seu maior ídolo da infância gosta ou acredita. Preenchi meu coração com isso; cresci acreditando que ateísmo era o certo e legal.

Mas, apesar de tudo isso, no fundo desse coração vazio, manchado pelo pecado e pela incredulidade, ainda tinha algo bom. Era Cristo. Cristo estava ali. E Deus sabia disso.

Conheci a Deus através de sua base: O amor e o perdão. O amor na relação com minha avó e o perdão pelo meu pai. Tudo começou quando, em setembro de 2016, visitei a 1ª Igreja Batista do Livre Arbítrio, a convite da irmã Bruna Cristina, amiga da época de faculdade. Nesse dia comecei a ouvir a Palavra de Deus e Seus ensinamentos. Ao final do culto, me senti preenchido por algo que nunca havia vivenciado. Hoje, sei que foi o agir do Espirito Santo. Comecei, então, a frequentar a maioria dos cultos e a cada dia que passava, a Palavra de Deus preenchia mais e mais minha vida. Fui capaz de entender e vivenciar Seu amor e perdão.

Cresci cheio de amargura e rancor devido à ausência do meu pai. Me perguntava o motivo pelo qual ele nunca quis saber de mim. E Deus, através de Sua Palavra me mostrou que meu pai pode ter errado, mas que eu não deveria julgá-lo. Jesus perdoou o indesculpável para mim.

Na mesma época, minha relação com minha avó estava abalada. Após desavenças, fui morar sozinho e fiquei 120 dias sem falar com ela. Aí Deus novamente quebrantou meu coração e me mostrou, através de Sua Palavra, que existem diferentes maneiras de dar e de receber amor. Eu exigia e cobrava amor da minha avó de uma maneira que ela não sabia entregar. O ego e o orgulho me cegaram. Minha avó teve uma infância complicada. A maneira dela de demonstrar amor e carinho nunca foi igual à da maioria das avós dos meus amigos. Ela foi criada por uma italiana e desde os seus seis anos era literalmente uma “escrava” desta mulher. Deus com Sua misericórdia foi me ensinando a respeitar os limites da minha avó. Ele se revelou a mim através do amor e do perdão.

Em janeiro de 2017, percebi que não era mais ateu. No dia 14, um dia antes do meu aniversário, passando pela praça Tubal Vilela, olhei a cruz de Cristo no alto de uma igreja católica e, em mente, falei: “Deus, se o Senhor existe me ajude a ser uma pessoa melhor em todas as áreas da minha vida, ser um bom filho, um bom pai, um bom profissional. Me ajuda”. Pronto. Vi que não era mais ateu, pois me abri para Deus entrar em minha vida. Na mesma semana, estava em minha casa bem cedinho, quando Deus começou a falar comigo: “Eu sempre estive aqui com você. Você é meu filho amado. Eu sempre estive com você na sua vida”. A relação com meu pai e minha avó também vieram à tona em minha cabeça e comecei a chorar sem parar. Não sei se comi, se fui ao banheiro, mas esse choro só parou tarde da noite.

A conversão veio em um acampamento de nossa igreja, em abril. Havia oito meses que eu estava ouvindo a Palavra, tinha perdoado meu pai e reconciliado os laços com minha avó. Faltava os laços definitivos com Deus. Em uma manhã linda, ao final do culto, eu entreguei minha vida para Jesus, O reconhecendo como meu único e suficiente salvador e reconhecendo tudo o que Ele havia feito na cruz por mim. Iniciava ali minha caminhada com Jesus Cristo. O batismo aconteceu em setembro de 2017 e a caminhada continua.

“Inimigo eu fui, mas Teu amor lutou por mim” (Ousado Amor- Isaias Saad). Quando escutei este louvor pela primeira vez, chorei de soluçar na igreja. Ele tocou na raiz do meu coração, das minhas emoções. Um filme, então, passou em minha mente, de onde eu estava e como a graça de Deus havia me alcançado. A misericórdia de Deus paira por toda a eternidade. Eu fui este inimigo, mas Ele com Seu amor, lutou por mim, e para Sua honra e glória eu viverei na eternidade ao Seu lado. Sentia vergonha por ter sido Seu inimigo um dia, mas hoje, Deus usa meu testemunho para a honra e glória Dele, para evitar que outras crianças e jovens passem por todo esse sofrimento. Sua obra é completa, boa, perfeita e agradável.

Amor puro, simples e verdadeiro igual ao de Cristo não existe. Deus manifestou todo o Seu amor por nós, em Jesus Cristo. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3:16).” Jesus Cristo é O caminho, A verdade e A vida e ninguém verá a Deus se não for por Ele (Jo 14:6). E é por Ele e para Ele que viverei hoje e para sempre. Amém.

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