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As setenta semanas

Quem estuda ou dá estudo sobre escatologia sabe que não podemos em sã consciência fixar tempo ou época para a volta do Senhor. Isto está claro nas palavras de Jesus registradas no livro de Mateus, capítulo 24, versos 23-a 27. No livro de Atos (1:6,7) encontramos também palavras semelhantes: “Então, os que estavam reunidos lhe perguntaram: Senhor, será este o tempo em que restaures o Reino a Israel? Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai (Deus) reservou pela sua exclusiva autoridade.”

Em relação à volta do Senhor, há uma profecia na Bíblia que chamo de profecia-chave. Ela se encontra no livro do profeta Daniel, capítulo 9, versos 24 a 27, peço que leia em sua Bíblia. Essa profecia se trata das setenta semanas. Alguns dizem “as setenta semanas de Daniel”. Na verdade, a profecia lhe foi dada pelo anjo Gabriel. No capítulo nove, verso 2, Daniel descobre, ao ler as profecias do profeta Jeremias, que o tempo do cativeiro babilônico seria de “setenta anos”. Essa profecia está registrada, também, no capítulo 25 do livro de Jeremias. Daniel, então, orou ao Senhor em favor do povo, uma vez que os setenta anos estavam chegando ao fim. Foi em resposta a esta oração que o anjo Gabriel foi enviado e lhe entregou esta profecia. Antes de examinarmos a mesma, é preciso observar alguns pontos:

a) Toda a profecia diz respeito ao povo de Daniel e sua cidade (Jerusalém).
b) Dois príncipes são mencionados: “O Ungido, o Príncipe” e “um príncipe que há de vir”.
c) As setenta semanas são proféticas. Cada semana corresponde a sete anos, uma importante medida de tempo sabática, no calendário judaico (Leia Levíticos 25:1-23).
d) Estes 490 anos proféticos têm 360 dias cada um. Isto fica comprovado pelas referências bíblicas à septuagésima semana de sete anos, que está dividida em duas metades. É referida como quarenta e dois meses (Ap 11:2, 13:5) e 1260 dias (Ap 12:6).
e) O começo dessas semanas está fixado com a saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém.

Se os judeus, ao invés de terem rejeitado Jesus como o Messias, O tivessem aceitado, a história da humanidade seria outra. Mas, por que O rejeitaram? Porque a Igreja era um mistério que estava oculto aos profetas. Vamos analisar estas semanas. Foi dito a Daniel que elas começariam “com a saída de um decreto para restaurar Jerusalém”.

Este decreto foi feito pelo Rei Persa, Ciro, no ano 458 a.C. e se encontra no livro de Esdras (capítulo 1, versos 1 a 5). Tomando este ano como base, os 483 anos vão (sete semanas, mais 62 semanas) até o ano 26d.C.. Dessa forma, do ano 458 a.C. até o ano 26 d.C. se cumpriram 69 semanas. Observe que a profecia diz: “até, o Ungido, o Príncipe”. Isto não se cumpriu no nascimento de Jesus, mas no dia em que Ele entrou em Jerusalém montado em um jumentinho (Leia Lucas 19:28-44), cumprindo uma profecia de Zacarias (Zc 9:9). O acontecimento seguinte seria a retirada do Messias, numa referência à sua morte (Dn 9:26), seguida pela destruição da cidade pelo povo “de um príncipe que há de vir” (Dn 9:26). Observe que a Bíblia diz “o povo” e não “o príncipe”. Isso aconteceu no ano 70 d.C. pelas legiões romanas. No ano 68 d.C. (nos dias de Nero), houve uma revolta em Jerusalém contra os romanos. Nero (Cesar) enviou várias legiões para a Judeia sob o comando do general Tito. Eles sitiaram Jerusalém, mas antes de invadir a cidade, Nero Cesar suicidou em Roma. Vespaziano voltou à Roma, pois era o sucessor de Nero, e as legiões ficaram com o General Tito Flávio. Passados cerca de três anos, eles entraram na cidade e destruíram Jerusalém por completo, até o templo. Os judeus que sobreviveram foram dispersos para toda parte do mundo, cumprindo as palavras de Jesus em Lucas: “Cairão ao fio da espada e serão levados cativos para todas as nações; e até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles” (Lc 21:24).

O tempo dos gentios, ao qual Jesus faz referência, diz respeito à era cristã ou da Igreja. Vemos que a última semana não se cumpriu, e já vamos para mais de dois mil anos desde a morte de Jesus. Ora, por que deste intervalo? Com a rejeição de Jesus pelos judeus que não viram Nele o Messias prometido, a salvação foi estendida a nós, os gentios. Começava a era da Igreja, que era um mistério escondido e que foi revelado por amor a nós (ver Efésios 3:9). Por que os judeus O rejeitaram? O apóstolo Paulo nos explica em sua carta aos Romanos:

“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério: que veio o endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: virá de Sião o Libertador e Ele apartará de Jacó as impiedades.” (Rm 11:25,26).

O que o apóstolo chama de endurecimento é a incredulidade que os levou (judeus) a rejeitá-Lo. Neste mesmo capítulo, Paulo diz que os ramos da oliveira foram cortados e nós, zambujeiros (oliveira brava) fomos nela (Oliveira verdadeira – Jesus) enxertados. Mas, por que a salvação virá a todo o Israel?

“Quanto ao evangelho, são eles inimigos por vossa causa. Quanto à eleição, amados por causa dos patriarcas. Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis. Porque assim como vós também outrora fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia, a vista da desobediência deles, assim, também, estes agora foram desobedientes, para que igualmente eles alcancem misericórdia, a vista da que vos foi concedida. Porque Deus a todos encerrou na desobediência, para com todos usar de misericórdia.” (Rm 11:28-32).

Só posso exclamar com louvor como fez o apóstolo Paulo: “Oh, profundidade de riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus. Quão insondáveis são os Teus juízos, e quão inescrutáveis são os Teus caminhos.” (Rm 11: 33). A Ele toda Glória!
A última semana, ou sete anos, está marcada com a seguinte frase: “Ele, o príncipe que há de vir, fará uma aliança com muitos por uma semana.” (Dn 9: 27). Quando este príncipe, que não é outro senão o anticristo, aparecer e fizer uma aliança de sete anos que envolve Israel, começamos a contagem regressiva. A volta de Jesus se dará no final desse período (veja Mateus 24: 15; 20-35).

Que Deus abençoe a todos!

Pr. Mário Eustáquio dos Santos

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