Nosso blog

QUAL É A SUA CRISE?

Pastor Alexsandro dos Reis Fernandes

Crise: Esta é certamente uma das primeiras palavras incorporadas ao nosso vocabulário e ao nosso cotidiano quando nos tornamos adultos. O tempo todo ouvimos rumores sobre ela e, muitas vezes, até a utilizamos para justificar algumas de nossas ações e omissões. Não nos traz dificuldades sua conceituação, a saber, algo que subtrai o equilíbrio, situação difícil, grave, estado de dúvida e incerteza, momento perigoso.
Fato é que nossa vida é permeada por momentos de crise que, a bem da verdade, nessa vida, jamais cessarão. Jesus já nos alertava sobre isso, ao dizer que nesse mundo teríamos aflições, nos exortando, contudo, a perseverarmos, mantermos o ânimo (João 16:33), na expectativa de um futuro de paz na vida futura ao Seu lado, na eternidade.
Forçoso concluir a partir do discurso de Jesus que, mesmo aqueles que andarem com Ele, não estarão isentos de dificuldades. O próprio Cristo quando por aqui andou não teve vida fácil, ao contrário, foi perseguido, passou por situações de grande perigo, injustiça, solidão, dor, sendo por fim, morto de forma cruel.
Ora, se crises são normais e sempre se farão presentes, se não temos como evita-las, precisamos, então, aprender a lidar com elas.
Partindo da narrativa empreendida pelo profeta Joel, descrevendo uma situação de profunda crise vivenciada pela nação de Judá, trataremos de forma sucinta desse tema sempre tão atual.

SITUAÇÃO VIVENCIADA POR JUDÁ
Em Joel 1:2-12 encontramos a seguinte narrativa:
“Atenção, anciãos estadistas! Ouçam atentamente, todos, sejam vocês quem forem, não importa onde estejam! Vocês alguma vez já ouviram algo parecido? Algo assim alguma vez já aconteceu? Não se esqueçam de contar aos seus filhos, e seus filhos contem aos filhos deles, e estes a seus filhos. Que esta mensagem não seja esquecida jamais! O que o gafanhoto cortador deixou o gafanhoto migrador comeu; O que o gafanhoto migrador deixou, o gafanhoto devorador comeu; o que o gafanhoto devorador deixou; o gafanhoto destruidor comeu. Despertem da sua bebedice, bêbados! Acordem para a realidade – e chorem! Seu estoque de bebida acabou. Vocês estão em fase de abstinência, gostem ou não. Meu país está sendo invadido por um exército invencível, incontável, dentes de leão, garras de tigre. Ele arruinou meu vinhedo, arrasou meus pomares, arrasou o país. O cenário virou uma terra devastada. Chorem como a virgem vestida de preto, lamentando a perda do noivo. Sem cereais ou uvas, o culto cessou no santuário do Eterno. Os sacerdotes estão perdidos. Os ministros do Eterno não sabem o que fazer. Os campos não produzem mais. Até o solo chora. Os campos de trigo estão sem vida, os vinhedos secaram, o azeite de oliva se vai. Lavradores, desesperem-se! Cultivadores de uvas, torçam as mãos! Lamentem a perda do trigo e da cevada. Não há colheitas. Os vinhedos secaram, as figueiras mirraram, as romãnzeiras, as palmeiras, as macieiras, tudo virou lenha! E a alegria secou e definhou no coração do povo. […] 19. Ó Eterno, eu oro e clamo a ti! Os campos estão queimando, o país é uma bacia de pó, e os incêndios na floresta e nas campinas estão fora de controle. Os animais selvagens, morrendo de sede, olham para ti, esperando água. Nascentes e ribeiros secaram. O país todo está queimando.[…].
2.1-3. Toquem a trombeta de chifre de carneiro em Sião! Deem do alerta no meu santo monte! Chacoalhem o país! O julgamento do Eterno está a caminho – o dia está às portas! Um dia de trevas! Dia de julgamento! Nuvens sem bordas prateadas! Como a luz da aurora cobrindo a montanha, um exército enorme está chegando. Nunca houve algo assim e nunca haverá. O fogo incontrolável queima tudo diante desse exército e lambe tudo que sobra no rastro. Antes que chegue, o país é como o jardim do Éden. Depois que passa, é o vale da Morte. Nada escapa inteiro.” (Versão “A Mensagem” de Eugene H. Peterson)
As profecias apresentadas por Joel, dirigidas a Judá, cuja mensagem, contudo, detém certamente um alcance universal, baseia-se inicialmente na devastadora praga de gafanhotos que assolara toda a região habitada pelo povo hebreu, destruindo campos, pomares e vinhedos.
As circunstâncias narradas pelo profeta dão a exata dimensão da situação. Noutra tradução bíblica, inclusive, Joel menciona no versículo quatro, a locusta (gafanhoto migrador), o pulgão (gafanhoto destruidor) e a lagarta (gafanhoto cortador), na verdade, pequenos seres que representam as fases da vida do gafanhoto (devorador), os quais, cada qual com suas especificidades, assolavam as plantações cortando suas folhas, destroçando seus galhos, tornando estéreis as plantas, finalmente, matando-as.
Somava-se à escassez de alimentos, uma severa seca e, em decorrência delas, uma grande variedade de doenças havia atingido a população, obrigada ainda a lidar com a morte de seus animais.
Se não bastasse, o profeta Joel narra também as constantes ameaças de invasões militares por nações vizinhas que se abatiam sobre Judá. A crise era enorme, assustadora.
Os reflexos desta crítica situação na área emocional e espiritual na nação também são descritos por Joel. O povo se encontrava profundamente assustado, abatido e desnorteado, assim como seus líderes1 . Sua visão mantinha-se encoberta, haviam perdido a noção daquilo que era certo e errado e não tinham nenhuma expectativa positiva quanto ao futuro. Faltava esperança. Sentiam-se desamparados, solitários e sem referências, reféns de um quadro aparentemente irreversível.
Por fim, predominava entre os judeus a sensação de que Deus os havia abandonado.
Encontramos inúmeras semelhanças entre o quadro acima delineado pelo profeta e as crises que rotineiramente enfrentamos, especialmente quanto aos seus reflexos em nossa alma e espírito. Comumente nos abatemos, perdemos o norte, nos falta discernimento, perdemos a esperança e passamos até mesmo a acreditar que Deus desviou de nós o Seu olhar. Mas é preciso corrigir nossa percepção e a Palavra de Deus nos apresenta meios para isso.
Somos valiosos para Deus
Quando Jesus foi tentado no deserto, pouco antes de iniciar seu ministério terreno e após um longo período de jejum, Satanás lhe sugeriu que transformasse pedras em pães a fim de saciar sua fome, que se atirasse do alto do templo e, finalmente, que o adorasse a fim de desfrutar de todo o esplendor que o mundo oferecia. Conforme cediço, Jesus resistiu às propostas com argumentos fortes e irrefutáveis. Mas salta aos olhos duas expressões utilizadas por Satanás, no afã de provocar Jesus. Primeiramente, disse “se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães” e, em seguida, “se tu és o Filho de Deus joga-te daqui para baixo” (Mt 4:1-11).
Podemos identificar nesse episódio duas intensões de Satanás; primeira delas, questionar a divindade de Jesus e, em seguida, Sua filiação em relação a Deus Pai. Satanás, em resumo, questionava ou, pelo menos, tentava questionar a identidade de Jesus.
Em meio às nossas crises, essa mesma estratégia é utilizada por Satanás através da capciosa pergunta: você não se diz “filho de Deus”? Por que passa por isso, então? Satanás tenta em todo o tempo nos induzir a questionar nossa identidade perante Deus e, se consegue, tem boa parte do caminho percorrido em seu objetivo maior de nos distanciar do Senhor, de Sua palavra e da Igreja.
Não podemos questionar e, tampouco, duvidar de nossa filiação em relação ao Senhor. Jamais! Precisamos manter firme a noção daquilo que representamos para Ele e não nos faltam textos bíblicos para nos auxiliar nesse desiderato. Dentre eles, destacamos I Pedro 2:9-102 onde somos chamados de “geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido”, recolhidos por Deus “das trevas para a sua maravilhosa luz”.
Assim como Israel era chamado “povo escolhido de Deus” no Antigo Testamento, os crentes, gentios (não judeus) convertidos, no Novo Testamento são denominados “escolhidos”, “eleitos”, “sacerdócio real”, povo exclusivo de Deus, comprado a preço de sangue, do sangue de Jesus Cristo. Somos filhos muito valiosos para o Senhor. Ele jamais se esquece de nós e, tampouco, nos priva de seu imensurável amor.
Em sua carta escrita aos crentes situados em Roma, os quais viviam momentos de grande perseguição, sendo açoitados e mortos de forma terrível por conta de sua fé em Cristo, o apóstolo Paulo consigna de forma soberba não haver tribulação, angustia, perseguição, fome, nudez, perigo ou espada, morte, anjos ou demônios, presente ou futuro, altura ou profundidade, em suma, crise forte o suficiente para nos separar do amor de Deus (Rom 8:35-393 ).
Em meio às nossas crises, não podemos dar ouvidos às sugestões de Satanás e, ainda, crer piamente no amor de Deus a nós destinado.

Voltar-se para Deus em todo o tempo
Logo após descrever o caos que havia se instalado sobre Judá, o profeta Joel conclama a nação à adoção de medidas que certamente reverteriam aquele terrível quadro. Chama a nação ao arrependimento, deixando claro que toda mudança passa primeira e necessariamente pelo reconhecimento dos erros cometidos, sincero desejo de não repeti-los e, finalmente, pela busca do perdão junto ao Senhor.
A terrível praga de gafanhotos não era a causa do drama vivenciado pelos judeus, mas o meio utilizado por Deus para discipliná-los. O Senhor bem poderia impedi-la, eliminá-la ou mesmo minimizar seus efeitos, porém, não o fez, devido a décadas de idolatria, prostituição, alianças com nações pagãs e muita desobediência levados à cabo pelos judeus. Nem mesmo deram ouvidos aos inúmeros “alertas proféticos” dados por Deus.
Diante disso, além do arrependimento, Joel recomenda ao povo que se una, congregue, jejue e levante clamores ao Senhor. Sugere ainda que “rasgue o coração” e não apenas as suas vestes, repudiando com isso as velhas, mentirosas e inúteis práticas meramente repetitivas, religiosas, deixando claro que o Senhor esperava por mudanças profundas, oriundas de corações verdadeiramente limpos e convertidos a Ele4 .
Em resposta a tais atitudes, o profeta afirma que o Senhor teria zelo da sua terra e se compadeceria de seu povo, enviando trigo, vinho novo e azeite “o bastante para satisfazê-los plenamente” (2.18), restituindo ainda sua confiança, autoestima e respeito dos povos vizinhos.

CONCLUSÃO
Como dito, momentos de crise são e serão normais em nossa vida, pelo menos enquanto estivermos neste mundo. Contudo, podemos passar por eles de cabeça erguida, adotando a infalível estratégia sugerida pelo profeta Joel, motivados ainda pelo inquestionável fato de que somos muito, muito valiosos para Deus e, portanto, nada, absolutamente nada, crise alguma pode nos separar do Seu amor.
Importantíssimo asseverar que crises, em regra, não denotam “falta de fé” como muitos equivocadamente insistem em afirmar, notadamente os defensores da nefasta Teologia da Prosperidade. Jesus as experimentou, aliás, abundantemente, seus discípulos de semelhante modo. Estevão, o primeiro mártir da igreja, no auge de uma dessas crises, foi morto por apedrejamento. Deus não o livrou da fúria de seus opositores. Paulo, o mais famoso de todos os apóstolos, passou pela vida também assolado por crises. Levava consigo aquilo que a Palavra denominou de “espinho na carne”, algo que o atormentava profundamente. Rogou ao Senhor que o livrasse dele e recebeu uma sonora negativa divina, acompanhada da seguinte frase: “Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Cor 12:7-10). Podemos afirmar que faltava fé a esses ícones e tantos outros noticiados na Bíblia? Obviamente, não!
A bem da verdade, o conceito de fé anda bastante distorcido no meio cristão atualmente. Na míope visão de muitos, fé não passa de mecanismo que vez ou outra acionamos para forçar Deus a nos dar aquilo que queremos ou a agir da forma que desejamos. Isso não tem nada a ver com fé. Bem diferente disso, fé é a certeza de que Deus cuida de nós, está conosco, mesmo que as coisas não aconteçam como queremos que aconteçam ou, ainda, é a certeza de que Deus cuida de nós ainda que Ele não faça aquilo que gostaríamos que Ele fizesse.
Portanto, ainda que nossa vida esteja tomada por crises, podemos e devemos confiar que Deus está conosco. Ainda que responda negativamente aos nossos clamores, podemos e devemos confiar que está de ouvidos e olhos abertos para nós, que não nos “deu as costas”. Isso é fé.
Finalmente, precisamos aprender algo mais sobre as crises: ao invés de questionar ao Senhor as razões pelas quais permite que nos atinjam, ao invés de perguntar “por que”, precisamos questionar seus propósitos, perguntar “para quê”, certos de que há um propósito para todas coisas.

REFERÊNCIAS:
1Como disse o profeta “os sacerdotes, servos do Senhor” estavam “entristecidos”, “a alegria” havia se secado “entre os filhos dos homens” (vs 9 e 12).

29. Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das travas para a sua maravilhosa luz; 10. vós que, em outro tempo, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.

335.Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? 36. Como está escrito: ‘Por amor a ti enfrentamos a morte todo os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro’. 37. Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. 38. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, 39. nem a altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

41:14 – Santificai um jejum, apregoai um dia de proibição, congregai os anciãos e todos os moradores desta terra, na Casa do Senhor, vosso Deus, e clamai ao Senhor. […].
2.12. … Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. 13. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e, grande em beneficência e se arrepende do mal. […]
16 – Reúnam o povo, consagrem a assembleia; ajuntem os anciãos, reúnam as crianças, mesmo as que mamam no peito. Até os recém-casados devem deixar os seus aposentos.

Não deixe de seguir nosso perfil no Instagram, lá publicamos conteúdos sobre gestão de empresas toda semana!

Está gostando do conteúdo? Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp